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O que é TOD: Transtorno Opositivo Desafiador

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O Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) é um padrão recorrente e persistente de comportamento negativista, hostil, desobediente e provocativo em crianças e adolescentes. Essas atitudes são mais frequentes e graves do que o comportamento considerado típico em pessoas da mesma idade e nível de desenvolvimento.

O TOD geralmente se manifesta antes dos 8 anos de idade, mas o diagnóstico pode ser feito em qualquer idade. É mais prevalente em meninos do que em meninas, na proporção de aproximadamente 6 meninos para cada menina. Estima-se que o transtorno afete de 1% a 11% das crianças e adolescentes.

Sintomas e Características

Os sintomas comportamentais mais comuns do TOD incluem:

  • – Desobedecer proposital e persistentemente as regras e figuras de autoridade como pais, professores e outros adultos responsáveis;
  • – Discutir frequentemente com adultos e pessoas em posição de autoridade, confrontando-os verbalmente;
  • – Comportamentos ativos e intencionais de desafio e recusa em cumprir normas sociais, regras e solicitações;
  • – Mentir, trapacear e culpabilizar os outros por seus próprios erros e mau comportamento;
  • – Provocar brigas físicas e verbais com outras crianças ou adultos;
  • – Destruir deliberadamente objetos e pertences em momentos de raiva ou frustração;
  • – Agir propositadamente de maneira a irritar ou incomodar as pessoas ao seu redor.

Os sintomas emocionais frequentemente associados incluem:

  • – Irritabilidade excessiva, com explosões frequentes de raiva e perda do controle emocional;
  • – Sensibilidade extrema a situações cotidianas, reagindo de forma desproporcional a pequenas frustrações;
  • – Tendência acentuada a sentimentos intensos de ciúmes, inveja e rivalidade;
  • – Dificuldade em lidar com derrotas, críticas ou reprovações, partindo facilmente para a vingança;
  • – Forte predisposição a sentir raiva, amargura e rancor quando contrariado ou reprimido.

Essas crianças e adolescentes também tendem a interpretar erroneamente as intenções dos outros, vendo ações benignas como ameaças ou provocações.

Causas e Fatores de Risco

A origem do Transtorno Opositivo Desafiador ainda não é totalmente compreendida, mas envolve uma combinação complexa de fatores genéticos, biológicos, psicológicos e ambientais.

Dentre as principais teorias e fatores de risco estão:

  • – Predisposição genética e histórico familiar: estudos mostram taxas mais altas de TOD em familiares de primeiro grau de pessoas afetadas;
  • – Anormalidades neurobiológicas: possíveis disfunções nos circuitos cerebrais relacionados à regulação emocional e controle dos impulsos, especialmente em áreas como o córtex pré-frontal, amígdala e gânglios basais;
  • – Déficit cognitivo: dificuldades em funções executivas como memória de trabalho, atenção, planejamento e controle inibitório podem contribuir;
  • – Temperamento difícil: bebês que já demonstram irritabilidade e dificuldade para acalmar-se teriam mais chance de desenvolver o transtorno;
  • – Ambiente familiar instável, abusivo ou negligente;
  • – Práticas parentais rígidas, inconsistentes ou negligentes;
  • – Traumas ou exposição à violência na infância;
  • – Problemas médicos e neurológicos: complicações pré, peri ou pós-natais; doenças que afetem o sistema nervoso.

Diagnóstico

O diagnóstico do Transtorno Opositivo Desafiador é clínico, realizado tipicamente por um psiquiatra ou psicólogo infantil experiente na avaliação de crianças e adolescentes.

O processo envolve:

  • – Entrevistas completas com a criança ou adolescente e seus familiares;
  • – Observação direta e prolongada do comportamento do indivíduo;
  • – Preenchimento de escalas padronizadas como a Escala de Transtorno Opositivo-Desafiador (ETOD);
  • – Análise do histórico médico, de desenvolvimento, psicossocial e familiar;
  • – Exame físico e neurológico detalhados;
  • – Testes neuropsicológicos para avaliar as funções cognitivas;
  • – Exclusão de outras condições médicas ou transtornos mentais que poderiam explicar os sintomas, como TDAH, transtornos de humor, abuso de substâncias, entre outros.

O diagnóstico se baseia nos critérios estabelecidos pelo DSM-5, que requer a presença dos sintomas por pelo menos 6 meses em um ou mais ambientes, com manifestação de pelo menos 4 sintomas de uma lista que inclui: perder a calma com frequência, discutir com adultos, desafiar ativamente regras, irritar outras pessoas, culpar os outros, sentir raiva e vingança.

Classificação da Gravidade

O Transtorno Opositivo Desafiador pode ser classificado quanto à gravidade, de acordo com a abrangência dos ambientes em que os sintomas são apresentados:

  • – Leve: sintomas apresentados em apenas 1 ambiente (casa, escola, comunidade);
  • – Moderado: sintomas apresentados em pelo menos 2 ambientes distintos;
  • – Grave: sintomas generalizados, apresentados em 3 ou mais ambientes frequentados pela criança ou adolescente.

Inicialmente os sintomas podem ocorrer em um único contexto, mas tendem a se espalhar se não tratados adequadamente.

Tratamento

Não existe cura para o Transtorno Opositivo Desafiador, mas um tratamento multimodal e multiprofissional personalizado pode melhorar significativamente o comportamento da criança ou adolescente. As principais abordagens são:

  • Psicoterapia: sessões individuais, em grupo ou familiares; terapia comportamental para ensinar autocontrole; terapia cognitivo-comportamental para identificar e modificar pensamentos e crenças disfuncionais; terapia familiar para melhorar relacionamentos.
  • Intervenções psicoeducacionais: informar e orientar pacientes e familiares sobre o transtorno.
  • – Treinamento e orientação aos pais: ensinar técnicas positivas de disciplina, estabelecimento de limites, manejo comportamental, comunicação efetiva.
  • Intervenções escolares: adequar o ambiente para evitar sobrecarga sensorial; sistema de incentivos e consequências; treinamento aos professores.
  • Medicação: para sintomas específicos que não respondem às abordagens psicossociais; requer cuidadoso monitoramento; principais categorias utilizadas incluem antipsicóticos (risperidona), estabilizadores de humor (carbonato de lítio), antidepressivos; doses e medicamentos devem ser individualizados.
  • Abordagens complementares: musicoterapia, arte-terapia, terapia ocupacional.

O tratamento exige tempo, paciência e perseverança. O engajamento ativo da família é fundamental. Em alguns casos de maior gravidade, a hospitalização pode ser necessária.

Prognóstico

Sem acompanhamento e tratamento adequados, o Transtorno Opositivo Desafiador tende a persistir na adolescência e idade adulta, elevando o risco de problemas sociais, familiares, acadêmicos e ocupacionais. Também aumenta as chances de envolvimento em atividades antissociais, agressivas e conflitos com a lei.

Contudo, com identificação e intervenção precoces, aliadas a um tratamento multidisciplinar personalizado e apoio familiar consistente, o prognóstico costuma ser positivo, permitindo que a maioria dos indivíduos reduza significativamente os sintomas ao longo do tempo e leve uma vida adulta produtiva e gratificante. O acompanhamento profissional contínuo é fundamental para manter os ganhos terapêuticos.

Recursos Úteis

Livros:

  1. Transtorno desafiador e de oposição – Guia completo para pais e profissionais: Este livro oferece informações detalhadas sobre o Transtorno Opositivo-Desafiador, apresentando estratégias práticas para pais e profissionais lidarem com os desafios comportamentais das crianças e adolescentes que apresentam esse transtorno.
  2. Transtorno opositivo desafiador – Estratégias práticas para lidar com a irritabilidade: Neste livro, são apresentadas estratégias específicas para lidar com a irritabilidade e os comportamentos desafiadores associados ao TOD. Ele pode fornecer orientações práticas para os cuidadores e profissionais envolvidos no tratamento de crianças e adolescentes com esse transtorno.
  3. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5): O DSM-5 é uma referência essencial para profissionais de saúde mental. Ele contém informações sobre diversos transtornos mentais, incluindo o Transtorno Opositivo-Desafiador. Nesse manual, estão os critérios de diagnóstico, os sintomas e o curso da doença, o que auxilia no diagnóstico preciso e na elaboração de planos de tratamento adequados.

Filmes:

  1. O menino do pijama listrado: Embora não seja diretamente relacionado ao Transtorno Opositivo-Desafiador, este filme é uma adaptação do livro de mesmo nome e aborda questões importantes sobre amizade, empatia e compreensão. Pode ser uma ferramenta valiosa para estimular reflexões sobre relacionamentos e atitudes.
  2. Tempo de viver: Também conhecido como “Efeito Borboleta”, este filme aborda o tema da volta no tempo e das consequências de nossas ações. Embora não seja específico para o TOD, pode servir como uma metáfora para as consequências dos comportamentos desafiadores e hostis.

É importante ressaltar que os livros e filmes mencionados são recursos adicionais e complementares ao acompanhamento profissional. Eles podem ajudar a compreender melhor o Transtorno Opositivo-Desafiador e oferecer insights sobre como lidar com os desafios associados a esse transtorno, mas não substituem a consulta a um profissional qualificado para o diagnóstico e o tratamento adequados.

Considerações Finais

O Transtorno Opositivo Desafiador, apesar dos grandes desafios, não precisa impedir que uma criança ou adolescente tenha uma vida plena e gratificante. A compreensão sobre o transtorno está em constante evolução e novas formas de apoio estão surgindo. Com tratamento multiprofissional, engajamento familiar e respeito pela individualidade de cada pessoa, é possível superar barreiras e propiciar o desenvolvimento integral do indivíduo.

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